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A ponte está de pé. O corredor ainda não

15 de out.
3 min de leitura

Em julho, as duas margens do Rio Paraguai se encontraram em Porto Murtinho. O comunicado do governo estadual de 1º de outubro diz que a ponte está "em construção" e não dá data. As outras fontes dão várias.



A ponte tem 1.294 metros. Passa a cerca de 35 metros acima do rio e tem torres de até 130 metros. Nada disso aparece no comunicado do governo estadual de 1º de outubro. O texto oficial descreve a Rota Bioceânica como oportunidade e diz que a ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, está em construção. Não traz data de abertura.

Vamos pelo trecho, do rio para a estrada.

O rio. Em fevereiro, o Campo Grande News contou que faltavam cerca de 101 metros para as duas pontas se encontrarem. Em março, A Crítica de Campo Grande falava em 69. A obra é financiada pela Itaipu Binacional e custa cerca de US$ 100 milhões, segundo A Crítica. O vão central tem 350 metros. O trecho estaiado tem 632. Em julho, o concreto se uniu. A Click Petróleo e Gás, de 24 de setembro, registra o encontro e a retirada dos carros de lançamento. A ponte existe, portanto, de uma margem à outra.

A estrada do lado brasileiro. O acesso à BR-267 tem 13,1 quilômetros. Fica entre os quilômetros 678,1 e 691,2. Terá seis pontes e um viaduto, segundo o DNIT, citado na reportagem de setembro. O custo informado é de R$ 472 milhões. Em fevereiro, a terraplenagem estava parada por falta de recursos, nas palavras do prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra. O secretário estadual Jaime Verruck disse que o prazo de 2027 dependia do fluxo de recursos.

A estrada do lado paraguaio. Em 7 de setembro, o lote 3 da terceira etapa da pavimentação no Chaco estava com 40,5% de avanço. O trecho vai de Mariscal Estigarribia a Pozo Hondo. A informação é do Ministério de Obras Públicas do Paraguai. A etapa completa cobre cerca de 224 quilômetros em quatro lotes. O percentual vale só para o lote 3. Em março, A Crítica informava previsão de novembro de 2026 para os acessos paraguaios.

A aduana. Em abril, a estrutura de controle integrado ainda estava em análise. O DNIT era o responsável por projetá-la. Sem alfândega funcionando, a ponte é travessia. Não é fluxo de carga. O corredor depende ainda da continuidade das rodovias na Argentina e no Chile, lembra a Click Petróleo e Gás. Esses trechos não foram verificados nesta apuração.

As datas. As fontes divergem. A Crítica, em março, falava em acabamento do tabuleiro em agosto de 2026. A ligação com a BR-267 só viria em 2028. O governo estadual, em abril, apontava acessos em julho de 2027 e a ponte pronta em agosto. A Agência Câmara, em 22 de setembro, previa inauguração até 2027. Em setembro de 2025, o DNIT falava em acessos no fim de 2026. A Click Petróleo e Gás resume o quadro: a travessia construída ainda não equivale a um corredor de exportação em funcionamento.

As promessas. A rota ligaria Mato Grosso do Sul a Paraguai, Argentina e Chile. O corredor tem 2.396 quilômetros. O Campo Grande News projeta encurtar em mais de 9.700 quilômetros a rota marítima de exportação para a Ásia. A estimativa federal fala em até 12 dias de economia nas viagens. A de A Crítica fala em até 17. O Campo Grande News cita 250 caminhões por dia no início, estimativa da Receita Federal. São projeções. Ainda não existe tráfego para confirmá-las.

O comunicado de 1º de outubro traz outros números. Foram R$ 132 milhões investidos em infraestrutura em Porto Murtinho em quatro anos. Foram R$ 275,4 milhões em segurança. As apreensões de drogas chegaram a 309.216 quilos no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2023, foram 206.030. A alta é de 50,08%. O comunicado não explica se a diferença vem de mais tráfico, de mais fiscalização ou dos dois. É uma peça oficial, sem verificação independente.

O governador Eduardo Riedel afirma no comunicado que a fronteira não pode ser problema e deve ser vista como grande oportunidade. Cita comércio, turismo e cultura. As fontes técnicas lidas para este texto falam de aterro parado, aduana em análise e asfalto incompleto.

Quem quiser acompanhar o assunto precisa de três documentos: o cronograma do consórcio e da Itaipu, a ordem de serviço do trecho da BR-267 e o projeto da aduana integrada. Nenhum deles foi localizado nesta apuração.

Nenhuma das fontes lidas traz a mesma data para a abertura.



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