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TUDO


Curar-se de Deus: Neurose, Medo e Temor
Do desamparo teológico ao pânico administrado: sobre o pai que se promete no céu, a economia que herdou seu lugar e a receita nahua que tentou curar o medo sem esperar por nenhum dos dois Páginas iluminadas do Códice De la Cruz-Badiano, apresentando ilustrações detalhadas de ervas medicinais indígenas, destacando o conhecimento botânico ancestral. I. Em 1907, num consultório de Viena, um médico observou que seus pacientes obsessivos repetiam gestos minúsculos (contar, verific
há 4 dias14 min de leitura


O choro que faltava: o projeto literário de Stefano Volp
Nascido em 1990 no Espírito Santo e criado na Baixada Fluminense, Volp construiu, em pouco menos de uma década, uma obra de ficção que caminha por gêneros distintos, romance juvenil, thriller, crônica, distopia afrofuturista, sem nunca abandonar a pergunta que a atravessa toda: o que custa a um homem negro ser sensível.
há 6 dias5 min de leitura


A Fronteira Também É Algorítmica
É por isso que o MS Poetar abre, a partir de hoje, uma nova frente editorial permanente: Humanidades Digitais. Ela vai acompanhar, com pesquisa, contexto histórico, fontes verificadas e linguagem acessível, as transformações que a inteligência artificial e a computação estão produzindo na escrita, na leitura, no ensino, na pesquisa, no trabalho, no mercado editorial e na sociedade.
há 6 dias13 min de leitura


Os fios que parecem asas
Ensaio-crônica sobre a fabricação estrutural da autoridade intelectual Uma figura de olhos vendados contempla o horizonte, simbolizando a busca pela identidade entre a construção pessoal e as influências externas de poder. I. O nascimento de alguém importante Há um instante impreciso em que alguém deixa de ser apenas uma pessoa com ideias e passa a ser, também, uma posição. Ninguém assiste a esse instante como quem assiste a um nascimento: não há parto, não há data, não há ce
29 de ago.12 min de leitura


Os primeiros atores do Brasil não foram João Caetano. Foram um padre mestiço e uma soprano cuja pele a corte tratou como defeito a corrigir
O Dia do Ator, celebrado em 19 de agosto, não homenageia o nascimento de nenhum artista, nem a estreia de nenhuma peça fundadora. A Lei Federal 6.533, que regulamenta a profissão de artista e técnico em espetáculos de diversões no Brasil, foi sancionada em 24 de maio de 1978 e entrou em vigor só em 19 de agosto daquele ano: é essa data de vigência burocrática, não qualquer efeméride biográfica, que o calendário cultural brasileiro decidiu transformar em comemoração.
19 de ago.6 min de leitura


Ana Miranda: a escritora que devolveu carne a quem a história só registrou como nota de rodapé
Aos 75 anos, completados nesta quarta-feira, a autora de "Boca do Inferno" segue no mesmo projeto que iniciou em 1989: pegar personagens que a historiografia oficial reduziu a função ou estatística — um poeta maldito, mulheres órfãs enviadas para casar à força, uma indígena catequizada no Acre, uma adolescente angolana escravizada — e devolver a eles a complexidade de sujeitos inteiros. Uma biografia e um estudo de obra sobre a romancista que reinventou o romance histórico br
19 de ago.6 min de leitura


O bonde, o manifesto e o hipopótamo: Oliverio Girondo faz 135 anos nesta segunda-feira
Em 17 de agosto de 1891 nascia, em Buenos Aires, o poeta que quis ser lido em movimento e que passou a vida seguinte fundando revistas, financiando amigos, casando-se com uma escritora que a história insistiu em chamar de musa, e destruindo, no fim da vida, a própria língua que o consagrou. Cem anos depois de 1922, ano em que ele e o modernismo brasileiro romperam com a tradição quase ao mesmo tempo, sem nunca se telefonar, esta segunda-feira é boa desculpa para reabrir o dos
17 de ago.6 min de leitura


A Equação do Fato Social
Durkheim, Weber e Berger-Luckmann traduzidos para a gramática do registro Uma pessoa de óculos segura uma lupa em frente ao rosto, simbolizando a investigação das dinâmicas de afetação social. I. Do afeto de comunidade ao fato social Já havia formalizado, em ensaio anterior, que uma comunidade não é a soma dos vínculos entre seus pares. Quando muitos sujeitos ocupam o mesmo conjunto isolado, existe a soma dos loops recíprocos entre pares, A_intra(C), mas o coletivo produz tam
12 de ago.5 min de leitura


A Escada do Afeto
Espécie, comunidade e a margem incomensurável A foto retrata duas silhuetas em um momento de conexão, contra o fundo de uma janela iluminada. Uma pessoa está ajudando a outra, simbolizando apoio e cuidado na "escada do afeto". Nota preliminar Este artigo deriva de um tratado anterior, no qual formalizei o afeto como estrutura de registro recíproco entre substratos capazes de reter traço. Ele pode ser lido de forma independente: recapitulo, à medida que avanço, o mínimo necess
11 de ago.9 min de leitura


Afetos
Do fundamento cósmico da reciprocidade à teoria do vínculo humano Mãos se aproximando em um gesto simbólico de conexão e afeto. Sobre o estatuto deste texto Reúno neste tratado a arquitetura completa de uma investigação filosófica original, de minha autoria, que usa o vocabulário da matemática e recorre à física por analogia, nunca por fundamento. Nenhuma equação que proponho aqui é física estabelecida, testada ou revisada por pares. Nenhuma foi validada empiricamente como te
11 de ago.21 min de leitura


O QUE É A VIDA!
Uma investigação sobre verdade, registro, afeto e o intervalo onde tudo isso é possível. Nota sobre o estatuto deste texto Neste ensaio, narro e formalizo uma investigação filosófica original, de minha autoria, que usa o vocabulário da matemática e recorre à física por analogia, nunca por fundamento. Nenhuma equação aqui é física estabelecida, testada ou revisada por pares; nenhuma foi validada empiricamente. É filosofia formalizada, uma hipótese sobre epistemologia das relaç
10 de ago.8 min de leitura


O peso que ficou só com elas
O Brasil tem mais de 11 milhões de mães solo. Em quatro entre dez lares chefiados por mulheres negras, a ausência do pai não é exceção: é a regra que sustenta o país Mão de uma mãe segurando carinhosamente o pé pequeno de seu bebê sobre um cobertor macio. Enquanto o Dia dos Pais movimenta vitrines e enche a timeline de homenagens, um outro número atravessa silenciosamente as estatísticas oficiais: entre janeiro e abril de 2025, mais de 65 mil crianças foram registradas no Bra
9 de ago.6 min de leitura


Uma cartilha, uma década: o que restou da primeira tentativa da OAB/MS de mudar a linguagem sobre a população LGBT
Em algum momento de 2014, um documento de 48 páginas saiu das gráficas de Campo Grande com uma proposta modesta na forma e ambiciosa no conteúdo: ensinar a imprensa, a advocacia e o poder público sul-mato-grossenses a nomear corretamente lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
6 de ago.14 min de leitura


Marilena Chaui contra si mesma
Uma leitura da estreia ficcional de Chaui a partir do conceito que ela mesma cunhou em 1981, e da teoria do espetáculo de Guy Debord Fui à Livraria Leitura do Shopping Campo Grande outro dia, sem plano nenhum, e encontrei ali, numa vitrine entre perfumaria e fast fashion, Guerra Perfeita, romance de estreia de Marilena Chaui, escrito em coautoria com José Guilherme Souza Chaui Mattos Berlinck, publicado pela Planeta Minotauro, chegada prevista para junho de 2026, classificad
5 de ago.3 min de leitura


A porta que Rachel de Queiroz abriu, e o que ela decidiu fazer depois de atravessá-la
Há 49 anos, em 4 de agosto de 1977, a Academia Brasileira de Letras elegia sua primeira mulher em oitenta anos de existência. A história dessa eleição é menos uma história de consenso do que parece, e a trajetória política de quem a protagonizou complica qualquer leitura fácil de heroísmo Raquel de Queiroz - crédito: Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A Press Em 4 de agosto de 1977, oitenta anos depois de fundada, a Academia Brasileira de Letras elegeu sua primeira mulher. O nome era Ra
4 de ago.4 min de leitura


O gerente do canibalismo: Raul Bopp e a máquina que devorou o modernismo brasileiro
Há 128 anos nascia, no interior gaúcho, o poeta que administrou o expediente da revista mais irreverente da história literária do Brasil — e que, ao escrever a Amazônia sem nunca ter sido dela, deixou uma pergunta que o próprio MS Poetar precisa fazer a si mesmo Retrato de Raul Bopp Em maio de 1928, um homem chamado Raul Bopp assinava o expediente de uma revista de oito páginas, formato 32 por 22,5 cm, vendida avulsa por 500 réis, num endereço na Rua Benjamin Constant, em São
4 de ago.5 min de leitura


O outro que mora dentro
Capoeira, fronteira e a subjetividade que Mato Grosso do Sul ainda não sabe nomear. O capoeirista exibe sua agilidade em um salto impressionante contra um fundo vermelho vibrante. Repare no gesto da ginga. Antes de qualquer golpe, o corpo do capoeirista se recusa a ficar de frente para o adversário. Ele se move em diagonal, oblíquo, nunca oferecendo o peito nem as costas por inteiro. Foi assim que corpos escravizados aprenderam, no Brasil colonial, a existir diante do olhar d
3 de ago.10 min de leitura


James Baldwin sob censura: a recepção dividida de um escritor negro e gay no Brasil da ditadura
Em 8 de março de 1969, no auge dos anos de chumbo, o leitor do Correio do Povo abriu o suplemento cultural do jornal (o Caderno de Sábado, edição de número 71) e encontrou, ao lado de uma matéria sobre "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa, um longo texto dedicado a um escritor norte-americano negro, que também escrevia sobre desejo entre homens, e que ainda não completara os trinta anos de idade quando o artigo original foi escrito. Chamava-se James Baldwin. O texto, a
2 de ago.5 min de leitura


O que o Brasil não pergunta
Desde 1982, o Estado americano pergunta aos seus cidadãos se leram um poema, se foram ao teatro, se dançaram. O Estado brasileiro nunca perguntou. A diferença não está no hábito — está na pergunta. Pessoa segura uma prancheta enquanto faz anotações durante uma entrevista de rua. Existe uma pergunta que um adulto americano pode ter respondido oito vezes ao longo da vida, e que um adulto brasileiro nunca respondeu. Ela é feita pelo U.S. Census Bureau a cada cinco anos, desde 19
30 de jul.7 min de leitura


EQUILIBRIVM: o mapa espiritual que Anitta desenhou para si, e o único ponto dele que pertence a Dourados
Oitavo álbum de estúdio da cantora Anitta, quinze faixas, estrutura em dois atos, o primeiro em português, ancorado em gêneros brasileiros e afro-brasileiros (axé, ijexá, samba, MPB); o segundo em espanhol e inglês, voltado ao mercado internacional.
30 de jul.8 min de leitura
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