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TUDO


A sombra que não caiu
Sobre colonialidade, corpo indígena e a persistência de existir Há uma economia política inscrita em toda sombra: alguém precisa estar de pé, sob luz suficiente, para que outro alguém seja apenas contorno escuro no chão. Nenhuma sombra nasce sozinha. Ela é sempre efeito de uma fonte de luz que a projeta e de um corpo que a intercepta, e, quando essa lógica é lida como estrutura social, e não como física, a pergunta deixa de ser "o que é a sombra" e passa a ser "quem detém a l
há 2 dias8 min de leitura


Da fogueira de livros ao enxame de notificações
O comparativismo histórico mostra algo desconfortável: a censura nunca desapareceu, apenas mudou de tática, migrando do bloqueio para a inundação, e a "história única" que exclui cosmovisões indígenas é uma terceira tática, mais antiga que as outras duas e ainda operante.
há 3 dias7 min de leitura


O papel dos jornais antigos na história do teatro em MS
Os arquivos oficiais decidiram que o teatro do Centro-Oeste era um intervalo entre a colônia e o silêncio. Foram os jornais de província, ao noticiar espetáculos como qualquer outro fato do dia, que discordaram. Gazeta Cuyabana [Periódico] Ano: 1847-1848 Há um problema anterior a qualquer levantamento de datas ou nomes de companhias: a historiografia teatral brasileira, quando trata do Centro-Oeste, trata de um vazio. Não por acaso, por operação. O pesquisador Fabricio Goular
há 5 dias6 min de leitura


Enquanto as cigarras cantam: notas sobre controle, solidão e arte
Por Zóia Münchow* Sweet Home, de David Greene, 1968. A obra inflável, pensada como uma casa vestível/habitável, aproxima-se da leitura do foguete de Adão como espaço doméstico, técnico e controlado, no qual a vida se reduz a uma arquitetura mínima de existência 1. Adão e a vida controlada A dramaturgia da peça Enquanto as cigarras cantam, assinada por Beto Mônaco, é bem conduzida numa viagem que vai do nada ao lugar nenhum, da distopia à utopia que pode ser forjada em seu
há 7 dias6 min de leitura


Sobre Ser Bixa na Escola
33 menos 9 é igual a 24. Uma conta que a escola ensinou a temer. 33 - 9 = 24. Este foi o número de anos que passei no interior dos muros escolares, número cujo significado, coincidentemente — e isto eu aprendi na escola, pois os meninos tinham pavor de que seu número na lista da chamada fosse este — é atribuído ao veado. Ocupar este lugar na lista, nestes 24 anos, tem sido problema para muita gente. BIXA, viado, queima rosca, gay, gayzinho, mulherzinha, eu poderia continuar,
15 de jul.2 min de leitura


O Coiote e o Tekohá: Beuys e a Ferida Colonial
Partimos do coiote de Beuys para chegar às margens do Apa. Passamos por Frantz Fanon, Ailton Krenak e Eliane Potiguara. E perguntamos: O que significa fazer literatura num território que ainda sangra? Pelo território e pela Palavra Há uma fotografia de 1974 que incomoda. Um homem envolto em feltro, de pé ou deitado, difícil distinguir, ao lado de um coiote. Ao fundo, palha. O espaço é uma galeria em Nova York. Do lado de fora, uma cidade que se proclama o centro do mundo. De
5 de jul.5 min de leitura


O que Marina Abramović Tem a Ver com a Literatura Marginal Brasileira
Uma performance de 1974 e a pergunta que a literatura brasileira ainda hesita em responder: vulnerabilidade é arte para quem? O corpo como campo de prova: o que “Rhythm 0” tem a nos dizer sobre escrever na periferia Em 1974, numa galeria em Nápoles, Marina Abramović colocou sobre uma mesa 72 objetos — uma rosa, uma pena, mel, uma faca, uma arma carregada com uma bala — e ofereceu seu corpo ao público com uma única instrução: por seis horas, ela seria o objeto, e as pessoas po
5 de jul.6 min de leitura


O Cheiro do Livro Não Acabou
O que aprendi visitando livrarias do Brasil e da Europa enquanto tentava responder a uma pergunta simples: ainda vale a pena abrir uma livraria? Uma crônica-reportagem sobre livrarias independentes em Mato Grosso do Sul, e sobre a teimosia bonita de quem ainda acredita nelas por Vinícius Guarani Existe uma pergunta que venho adiando há tempos. Não porque não saiba a resposta, mas porque toda resposta honesta sobre livraria passa por uma confissão, e confissões custam caro qua
5 de jul.11 min de leitura


Sobre a literatura que o mundo está esperando
Literatura, saúde mental e os caminhos que a juventude do estado encontrou, e ainda não encontrou, para transformar dor em arte publicada. A Dor Que Escreve por Vinícius Guarani | Campo Grande, MS Ela estuda Direito numa universidade pública. Escreve desde os quinze anos. Tem um caderno de capa preta que não mostra para ninguém e uma pasta no computador chamada simplesmente “textos”. Quando alguém finalmente pediu para ler o que ela escrevia — o que fora uma proposta de publi
5 de jul.10 min de leitura


O Silêncio Como Instituição
Machado de Assis escreveu sobre uma sociedade que transformava a violência em rotina e a crueldade em administração. Mais de um século depois, uma leitura de literatura, propriedade e conflitos. Por Vinícius Guarani Em “Pai contra Mãe”, Machado de Assis para a história por um instante. Ele quer descrever um objeto. Não é uma arma. Não é um papel. É uma máscara. Era feita de folha de flandres. Tinha três buracos: dois para ver, um para respirar. Era fechada na nuca com um cade
5 de jul.9 min de leitura


A Poética Urbana de Campo Grande
De grafiteiros que pintam lendas indígenas a poetas que tomam terminais de ônibus: como Campo Grande constrói sua identidade cultural nas ruas A dama da viola, Helena Meirelles, se impõe com as pinceladas do artista plástico Marcos Rezende. (Foto: Henrique Kawaminami) Por Vinícius Guarani Às seis da manhã, quando o sol ainda hesita sobre os ipês amarelos da Avenida Afonso Pena, Campo Grande já está escrevendo. Não com caneta nem teclado, escreve com tinta spray na parede de u
5 de jul.7 min de leitura


Por que o torcedor fanático e o crente fundamentalista pensam exatamente da mesma forma?
A vitória é mérito, a derrota é conspiração. A doença é ataque espiritual, o desemprego é prova de fé. Sob a superfície, o torcedor fanático e o fiel fundamentalista são vítimas do mesmo fenômeno. O processo pelo qual indivíduos se tornam intelectual e moralmente mais limitados ao interior de um grupo coeso é um dos fenômenos mais bem documentados da psicologia social. Ele não depende da inteligência dos membros, nem da qualidade dos valores que o grupo alega defender. Depend
3 de jul.5 min de leitura


A Lâmina, a Anta e o Caminho das Estrelas
Há uma faca. Ela não precisa de mão para cortar, aprendeu, com os séculos, a cortar sozinha. Existe na linguagem antes de existir no metal, existe no documento antes de existir no gesto. Ela repousa sobre a pedra com a placidez de quem sabe que o tempo trabalha por ela. E há a anta — animal de passos que a floresta conhece antes de ouvi-los, criatura cujo nome os Tupi-Guarani inscreveram não na terra, mas no céu. A Via Láctea inteira se chama o Caminho das Antas. Ela não habi
25 de jun.4 min de leitura
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